A raiz mais antiga das espécies cultivadas na América do Sul, a mandioca, também conhecida como aipim ou macaxeira, é uma planta perene e arbustiva. A parte comestível é a raiz, rica em fécula e muito usada na alimentação humana, e encontrada no sudoeste da Amazônia.
Paula Pinto e Silva, pesquisadora da alimentação nacional e autora do livro “Farinha, Feijão e Carne-seca” diz que logo que os portugueses aportaram por aqui ficaram extasiados pela forma de preparo desta raiz. Em seu livro, Paula conta que diversos cronistas da época tentaram descrever a forma de preparo da mandioca. Um dos textos, sem autoria definida, dizia que “depois de arrancá-las da terra fértil, as mulheres indígenas secam-na ao fogo, ou então as ralam ainda frescas sobre uma prancha de madeira, cravejada de pedrinhas pontudas, reduzindo-as a uma farinha alva como a neve”.
A massa da mandioca era então espremida para que se extraísse todo seu suco. Em seguida, era arrumada em forma de bolos, que eram deixados ao sol para secagem. Estes bolos eram vez ou outra esfarelados sobre um tacho de barro e borrifados com água e levados ao fogo até tostarem, originando o beiju, biscoitinho que passou a fazer muito sucesso entre os estrangeitos que chegavam por aqui.
Paula relata que os beijus indígenas eram muito parecidos com os biscoitos portugueses, tanto na forma arredondada como no gosto. Eles faziam parte do café da manhã ou eram usados para fazer bolos e pães.
Pouco mais tarde, como faltava trigo nas cozinhas das senhoras portuguesas, o beiju, ou a farinha de mandioca, deixou de ser um ingrediente restrito aos povos indígenas e passou a figurar na culinária dos colonizadores, principalmente por que eram de fácil armazenamento.
Hoje, o cultivo da mandioca é de grande relevância econômica no Brasil. É uma das principais fontes de carboidratos para milhões de pessoas, principalmente no Nordeste, onde se consume mais da metade dos 23 milhões de toneladas plantadas, seja em pães de queijo, bolos, ensopados ou frita, como aperitivo.
Importante frizar que existem diversas variedades da planta, inclusive as venenosas, chamadas de mandioca-brava, que contém ácido cianídrico. No entanto, deixar a raiz da mandioca descascada em água por dois horas e depois cozinhá-la por mais uma hora em água fervente a torna apta ao consumo.
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